quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

viagem perdida

era sempre o mesmo trem
as horas de sono perdidas
o esforço para os olhos ficarem abertos
e de repente esperar que também houvesse estes momentos do outro lado.
haver este momento de reciprocidade. não havia na mesma proporção.
e a desculpa era sempre a mesma. que tudo era longe.
que da minha parte era mais fácil.

pois bem
um tempo depois houve o fim
e mais um tempo depois você o vê no ponto mais longínquo da cidade
aparecendo onde você sempre propunha ir
"ah, mas é longe": esta já era a frase feita da desculpa

era bem mais fácil ser sincero.
falar que o programa não era de seu gosto. que o artista não interessava.
fazer como eu fiz. falar como eu falei,
que não estava interessada mas não me opunha que fosse.
e que este foi o motivo de tantas brigas
mas ao menos a verdade vinha a toa

me preocupava em não deixar resquícios de mágoas.
porque podíamos brigar, mas íamos nos entender.
saber os porquês, tentar entender, propor soluções.

e depois vinha a reclamação que eu pensava somente em mim
será?

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foto retirada daqui

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

no bar II


um pedido
um olhar
um gole
uma escrita
uma visão
uma espera
um toque
um aperto
.
.
.
quando a segunda garrafa secou
foi desnecessário repetir os mesmos versos
.
.
.
a rua me espera

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

no bar


a caneta corre
o copo esvazia
o prato quase limpo
a conta quase pedida

até que se ouve um grito
TOCA RAUL!!

pronto.
a cerveja já está na mesa
pronta para o próximo round.

até o próximo grito.

[imagem - Paulo Branco]