sexta-feira, 9 de maio de 2014

casas

a mesma velha história

querer preparar toda uma situação. montar cenários. querer que eles saltem da mente para o agora. deixar tudo como imaginou.

pensar e repensar no que dizer. falar sozinha 'ah não se eu falar isto ele vai se afastar'. ou querer deduzir o que o outro vai falar dependendo do que você falar. .e na hora não sai nada do esperado

sempre nestas horas esquecemos que as coisas acontecem sem montar nada. sem propor nada
palavras quando verdadeiras sempre bastam
escrever ou falar aquilo que se sente na hora que está sentindo faz toda a diferença
é a diferença

única coisa que não é diferente é esta vontade de fazer tudo que disse primeiro e me lamentar por não ter feito a segunda situação.
e mesmo que saiba que tudo isto vai acontecer
só me resta escrever sobre as situações que vivi. as que gostaria de viver.

domingo, 4 de maio de 2014

desejos

'e eu sei que uma hora vai dar certo.
a gente vai conseguir lidar com estas saudades
vamos pode encaminhar nossas vidas
eu sei, é foda

até pouco tempo atrás eu só conseguia te ver de longe
e isto que você estava ao meu lado!
mas na minha cabeça, eu te olhava e você olhava para ele
demorei para perceber que furtivamente
seus olhares sempre procuravam os meus
que eu abaixava a cabeça derrotado pensando que você não me queria
e justo nesta hora você procurava os meus olhos
procurava o meu amor neles
e eu burro, saia, ia embora. com o coração na mão e a mente longe.

mas agora eu sei que tudo que passou, passou!
que se eu tinha uma história somente na imaginação
agora ela tem direito a vários capítulos novos
e sei que se tiver um epílogo um novo livro pode ser criado.

e aquele olhar nunca estará perdido ou desviado para confusões dos meus pensamentos.
só tem direção certa, que é nesta aqui ao qual estou escrevendo'


da carta que nunca recebi.

entrelaço

me olha
sorri
diz que sentiu minha falta
que os minutos não passavam
e que o verdadeiro presente
seria a hora de segurar minha mão
e não soltá-la mais

te olho
sorrio
demonstro toda a falta que você me fez com meus lábios
te digo quais eram as piores horas da saudade
e que o verdadeiro presente se fez agora
quando tive certeza que você não soltaria minha mão
e que soltá-la não era uma opção

dedos

lembro quando tudo parecia tão mais fácil
fácil de se viver, de sentir, de demonstrar
muitas das coisas eram encaradas como brincadeira
e naquela época machucar alguém era fora dos planos

não sei em qual momento que as coisas tomaram seriedade
que aquelas brincadeiras tomariam outras proporções
que pegar na mão ou abraçar iria envolver bem mais que carinho
que o desejo seria despertado quando menos imaginaríamos

e também não iria saber
que a saudade machuca mais que o amor correspondido
ou pior
que este amor não conseguiria encontrar o tempo certo
e transforma tudo em dúvida
paira no peito
e esmaga todo dia que o encontro não acontece

quarta-feira, 26 de março de 2014

metrô

o velho chiclete grudado
a escolha errada de escadas
a disputa de corrida para a escola
o olhar indo longe, através dos prédios
lembrar que outros tantos não existem mais
que outros tantos não nos deixam ver mais
descobrir que quanto mais oportunidades de lugares
mais pessoas surgirão
descobrir velhas esculturas, quadros, placas
que no dia-a-dia no corre-corre você nem percebe

e ver que por alguns instantes
você está em mundo à parte
mas não tão longe da realidade



terça-feira, 11 de março de 2014

lucro

decisões tomadas na hora errada
folhas verdes que voaram
e pareciam que não iriam mais voltar

passam os anos e aquele peso permanece;
mesmo que outras folhas apareçam no caminho
aquelas nunca são esquecidas.
mês a mês. ano a ano.

até que o vendaval acontece novamente
e a folha dos anos caem em suas mãos
e te coloca contra si mesmo
no estilo 'e agora ou nunca'

e você decide que era hora
era hora de tomas decisões que mudaria os rumos de muitas coisas
e a vida não te colocaria mais contra a parede
era hora de ser livre

e voar como as folhas verdes.

segunda-feira, 10 de março de 2014

tinta

o metrô lotado. pessoas empurrando. celulares nas mãos. olhos escondidos.
olhando ao redor me deparo com um homem vestido de palhaço.
assim.
sentado. cansado.
também olhando a multidão. somente observando.
esperando apenas um olhar para que o sorriso aparecesse.

me sinto muitas vezes como este palhaço.
olhando, procurando...me frustrando.
talvez nem um pouco de tinta vem para alegrar a vida das pessoas.
e capaz se eu perguntar 'viu aquele olhar? viu o palhaço?'
a pessoa vai demorar uns segundos ainda para me olhar e responder
[um provável não, é claro]
mas eu vou sentir que ela vai demorar a vida inteira
para um dia sonhar com aquela expressão.

que em busca nenhuma vai encontrar.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

assim será

relógio martela na cabeça
e pela primeira vez você percebe
que não tem porque correr para começar o dia
e fico me perguntando de onde vem esta calma toda

o trajeto segue o mesmo
as esquinas, carros e pessoas saindo
a volta para olhar o ônibus
tudo correndo no tempo certo

talvez sem correria
o ônibus venha mais vazio
os andares não serão tão apressados ao redor
as portas não demorarão pra fechar
será?

com tempo de sobra até para organizar pensamentos
e com uma mão acima da outra servindo de ajuda
a música vindo no tom certo
é garantia de poesia correndo livremente pelo dia

[e que ela seja a única correria do dia. que seja além do que se vê.]

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

espera no café


pinga
e cada gota são os minutos caindo
até que a hora fica cheia
e é necessário despejar em pequenos cálices

estes são tomados num gole só
mas param na garganta
e descem rasgando

tudo para não esquecer
cada minuto desperdiçado
cada suspiro soltado

(e cada odor com cheiro da velha saudade)

escrito dia 21 de dezembro de 2013
foto daqui