quarta-feira, 26 de março de 2014

metrô

o velho chiclete grudado
a escolha errada de escadas
a disputa de corrida para a escola
o olhar indo longe, através dos prédios
lembrar que outros tantos não existem mais
que outros tantos não nos deixam ver mais
descobrir que quanto mais oportunidades de lugares
mais pessoas surgirão
descobrir velhas esculturas, quadros, placas
que no dia-a-dia no corre-corre você nem percebe

e ver que por alguns instantes
você está em mundo à parte
mas não tão longe da realidade



terça-feira, 11 de março de 2014

lucro

decisões tomadas na hora errada
folhas verdes que voaram
e pareciam que não iriam mais voltar

passam os anos e aquele peso permanece;
mesmo que outras folhas apareçam no caminho
aquelas nunca são esquecidas.
mês a mês. ano a ano.

até que o vendaval acontece novamente
e a folha dos anos caem em suas mãos
e te coloca contra si mesmo
no estilo 'e agora ou nunca'

e você decide que era hora
era hora de tomas decisões que mudaria os rumos de muitas coisas
e a vida não te colocaria mais contra a parede
era hora de ser livre

e voar como as folhas verdes.

segunda-feira, 10 de março de 2014

tinta

o metrô lotado. pessoas empurrando. celulares nas mãos. olhos escondidos.
olhando ao redor me deparo com um homem vestido de palhaço.
assim.
sentado. cansado.
também olhando a multidão. somente observando.
esperando apenas um olhar para que o sorriso aparecesse.

me sinto muitas vezes como este palhaço.
olhando, procurando...me frustrando.
talvez nem um pouco de tinta vem para alegrar a vida das pessoas.
e capaz se eu perguntar 'viu aquele olhar? viu o palhaço?'
a pessoa vai demorar uns segundos ainda para me olhar e responder
[um provável não, é claro]
mas eu vou sentir que ela vai demorar a vida inteira
para um dia sonhar com aquela expressão.

que em busca nenhuma vai encontrar.