quinta-feira, 27 de setembro de 2012

dançando a canção francesa


o hálito que bateu em meu rosto foi como um convite
para que mais uma vez eu pudesse imaginar como seria nossas pernas entrelaçadas
riscando o salão inteiro onde a platéia não seria mais do que sombras
até que todos os fôlegos fossem extintos

sentir nossos corpos subindo a temperatura
e ver que a troca de calor é ainda mais atiçada pela suave música que sai do piano

minha imaginação flutuou, mas ao abrir os olhos vejo que estamos dançando de outras formas
sentados na mesma banqueta, as pernas, mãos, olhos e pensamentos estão entrelaçados
e vejo que sua música finalmente encontrou o meu corpo

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baseado em:

mais uma canção francesa

ela toca o piano, com suas mãos frágeis, enquanto rolo pelo tapete carmim, ele está macio!
tento chamar sua atenção, mas ela não se encontra em nossa sala
meus pés agitados roçam suas pernas, pernas rosadas nas extremidades, devido a baixa temperatura

um vestido de tecido muito fino e claro, quase transparente
me proporciona a visão do paraíso -o corpo dela- palpável.

então os lábios salgados se abrem para mim
envolvida pelas notas provocadas pelas mesmas mãos frágeis do corpo-paraíso
aperto almofadas contra o corpo, contraindo-me, me torno um feto

ela se aproxima de mim, um sussurro com halito de hortelã
me devolve a vida
dançamos, partilhamos a alma naquele instante

então a empurro até o piano, o corpo sem a música
não me vale nada! NADA.

então lhe peço para que me toque mais uma canção francesa.
[http://maquinadeescreverin.blogspot.com.br/]

vazio

e o silêncio que chega de mansinho nesta madrugada sonolenta
o frio vem batendo nas pernas e o vento areja os pensamentos
nada muito programado,
apenas a vontade de entender estas vontades estes pensamentos o que me faz realmente querer escrever
se são pessoas, as sensações, o tempo, os sentimentos...
chega uma hora que vou escrevendo para ver se acho sentido em algo do que vem acontecendo
mas paro e penso que o "acontecendo" não é nada definido, algo certo para parar e pensar.
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acho que só a culpa e a vontade de conversar escrever vem me acompanhando para que possa entender alguma coisa sobre mim mesma.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

peso

aquele momento da madrugada que a culpa, o pesar ou até mesmo a indignação faz com que você abra qualquer arquivo, pegue caneta e papel e comece a correr de qualquer maneira palavras.
mais e mais vão saltando e muitas destas nem sentido precisam ter....o único sentido pra você é continuar escrevendo como se fosse algo sério, ou como se passasse as horas e você ainda não tivesse ou não conseguido escolher as palavras para o momento.
aquele tipo de coisa que você vai ler daqui a algum tempo e pode ou não continuar fazendo sentido...a única coisa que será a certeza é de você sentada com a cabeça mil tentando explicar o que não precisa explicar.
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até que você para. e olha. e dá vontade de apagar tudo. porque pensa que não vai fazer sentido nenhum....ao menos para aquele que resolver aparecer aqui para ler.
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mas quem disse que a vida não é complicada? que precisa ser certa? que você deve ser certo? tem o lance de princípios...mas acredito que cada um tenha o seu, e consequentemente tem o limite...e vai acabar agindo de acordo com o seu....
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a pior coisa ainda é você querer escrever em códigos, para que ninguém entenda...mas ao mesmo tempo você quer que alguém entenda...que alguém dê uma luz...
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somente vontades...a maior ainda é que a dor fosse junto com as palavras. mas parece que elas permanecessem grudadas nas pontas dos dedos, ou na ponta da caneta...como se você ainda não estivesse escrevendo nada certo para que elas desaparecessem.
Ou pior, ficam ainda na ponta da língua esperando para serem engolidas para pesar mais o coração.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

pendurando histórias

se embrenhando nos cabelos
escapando pelos dedos
até o momento que se cai
e ninguém percebe tal ato

assim que é lembrado e comunicado
percebe-se que não está no mesmo lugar
que foi respirar novos ares

mas diz que vai voltar
cheio de histórias para contar
mesmo que nada possa falar

algo sobre fantasmas e bebidas

....o que será aquela silhueta que aparece em minha frente depois da quinta dose?
tento de todas as formas me aproximar
porém ela é mais rápida que meus dedos e não consigo capturá-la
pergunto aos amigos como alcançá-la
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mas eles estão sóbrios demais

cascalhos

no meio de tantas vielas
entre tantas garrafas
seus pés descalços formando cascos

para suportar tanta inspiração
para que pudessem penetrar

e os cacos que ficaram
estão nos meus pés calçados
e vão correr por estas linhas
a cada dia

arcos da lapa

três doses no arco poderiam ter fechado seis olhos
porém as luzes foram acesas e de repente surgiram oito pernas
dois corpos jogados no banco e às quatro as flores desbotaram
porém às sete um batalhão já acordava Copacabana
e às nove o Arpoador já não era tão longe

neste jogo de números
apenas uma cabeça guardando lembranças a cada cinco minutos

azulejos de santa teresa


Um chinelo cobiçado se quebra na praia
um fisgar de baleia vira arco íris de fim de tarde
uma venda vira canções a beira mar
uma loucura vira uma dobradura
um descanso na sombra com locução
uma escadaria com um pedido de casamento
um azulejo que conta mil histórias
uma rua que transborda cultura
uma viela que a música rola pelos dedos
uma água de coco que transpira
uma tira em quadrinhos que cheira maresia
e o circo ficou e quem voou fomos nós.