sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

saudades no busão

a cabeça que trovoa
e os sinais são manifestados
através dos raios do ciúme
das tempestades escorrendo dos olhos

e aquele simples
'fica, fica comigo'

mais simples que qualquer poema
para te convencer do que sinto
para te convencer que sou eu
e ninguém mais

escrito em 06/12/13 - no busão
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saudades das viagens
a cada encontro vindo de uma
e me sugando para outra
no mesmo instante

talvez seja tudo errado
nada visto com olhos certos
mas se é no erro que se aprende
há muitas doses ainda
para equilibrar a vida

(estas viagens devem fazer equilíbrio com as saudades também. sempre uma parte esquecida)

escrito em 06/12/13 - no busão
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não adianta. inevitável.
agora a cada curva, a cada trecho
o sorriso salta
e o pensamento vai longe

por mais que ele voe
sempre volta nos minutos precisos
nos toques da hora incerta
no encontro não planejado

onde a saudade
é sempre o personagem principal

escrito em 09/12/13 - no busão

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

trovoa(ndo)



destino canções pros teus olhos vermelhos

graças a deus você existe
acho que eu teria um troço se você dissesse que não tem negócio

pressinto como você chega, ligeiro
vasculhando a minha tralha
bagunçando a minha cabeça

minha cabeça trovoa
sob teu peito eu encontro a calmaria e o silêncio

vou sossegado e assobio
e é porque eu confio em teu carinho
mesmo que ele venha num tapa

no meio da tarde, soluça

fique
fica comigo
se você for embora eu vou virar mendigo
eu não sirvo pra nada
não vou ser seu amigo
fique
fica comigo

ao desafio de te dar um beijo, entender o teu desejo
me atirar pros teus peitos
meu amor é imenso, é maior do que penso
é denso
espessa nuvem de incenso de perfume intenso

deslocamento atômico
para um instante único
em que o poema mais lírico
se mostre a coisa mais lógica

toda a defesa que hoje possa existir
e por acaso queira nos afastar
esse momento tão pequeno e gentil
e a beleza que ele pode abrigar
querida, nunca mais se deixe esquecer
aonde nasce e mora todo o amor

linda canção do Mauricio Pereira - no vídeo interpretada pelo trio Metá Metá (Kiko Dinucci - Juçara Marçal - Thiago França) 

domingo, 8 de dezembro de 2013

mil manchas



mais de mil pessoas fazendo parte de um caderno.
não se sabe se um caderno que mancharam ou se foi manchado.

sei que muitas doses serviram para isto.
doses de solidão.
doses de amargura.
doses de cicatrizes.
doses de amores.

sei que pedaços foram ficando para trás.
pedaços foram se formando.
e ainda junto pedaços para uma nova mancha.


foto tirada daqui.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

metrô

com um pedido de licença
se jogou na cadeira

antes de fazer qualquer reclamação
a voz começou a flutuar
as pernas começaram a se mover...
e mesmo que você não quisesse
os ombros acompanharam o ritmo

então passado alguns segundos
estão ouvindo a mesma música
curtindo o mesmo som
cantando a mesma língua

e como se fosse combinado
todos ao lado começam a cantar
movimentos dos trilhos e dos pés se misturam
a festa estava montada
.
.
.
até que o apito informa que era o final
e que a próxima estação era a sua
e a única pessoa dançando e cantando
na verdade era você

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

confusões

o silêncio nunca foi como hoje
me fazendo calar as palavras
confundindo os sentimentos
desviando pensamentos

tudo sempre tão confuso
mas confusão sempre necessária
que ao mesmo tempo que necessito deste silêncio para concentrar as palavras que pretendo escrever
preciso de vozes, do barulho me dizendo as palavras que necessito ouvir

e no meio desta confusão as palavras vem soltas
se encontrando nas frases
e quase mostrando em cada uma os sentimentos envolvidos

quase porque assim que podemos identificá-los
elas se misturam na confusão
elas se escondem
até sumirem dentro de mim

novamente.



quinta-feira, 24 de outubro de 2013

descartável


pessoas que tratam sua vida como se fosse descartável.
não sabem se é papel, plástico, vidro ou metal, mas te atiram na lixeira mais próxima.

rabiscam, entortam, preenchem e amassam sua vida
e a rasgam, queimam, esvaziam sem ao menos avisar.
sem um pedido de desculpas. sem ao menos se importarem.

penso que se fosse ao contrário, então, achariam normal.
afinal "se eu faço e não ligo, se fizerem comigo, não será castigo".


(e o pior é o tempo passar e agir como se não tivesse feito nada)

foto daqui

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

nuvem negra

passa nuvem negra
larga o dia
e vê se leva o mal
que me arrasou
pra que não faça sofrer mais ninguém


questões

quando a gente vai aprender que promessas pra si mesma é mais difícil de cumprir do que as feitas para os outros?
quando vamos aprender que algumas emoções nos cegam e não nos faz enxergar o então óbvio?
quando vou deixar de derramar lágrimas em locais públicos por pessoas que não a merecem?
quando vou deixar de ir levando a vida tentando colocar um passo a frente de cada vez se pisam em cima de mim? se travam os meus passos?

quantas vezes vou deixar isto acontecer?
e novamente o que vai restar sou eu escrevendo palavras para ninguém
para tentar acalmar coração e mente
para parar as lágrimas que teimam em escorrer
para lembrar a mim mesma que não era nada sério
mas ao mesmo tempo ver que consideração, conversa franca e sinceridade
ficam apenas na intenção. na minha e na que o outro seja.


ah vida real....como é que eu troco de canal?

domingo, 22 de setembro de 2013

à deriva

você apertou minha mão
você correspondeu aos meus abraços
aos meus braços se entrelaçando aos seus
a cada hora que cruzava o meu caminho

a cada hora que nos víamos
era um motivo para nos tocarmos
para termos contatos
você aparentava isto
você demonstrava querer isto

até que você se deixou ver com outra
você me deixou olhar as mãos delas entrelaçadas com as suas
você me fez seguir suas mãos desenhando o corpo dela
você me deixou saber que haveriam outras na mesma noite

você ao menos poderia ter sido sincero
ter sido honesto
para alguém que usa tão bem a voz e as palavras
desta vez pecou por deixar os dois lados calados
e o eco dos meus pensamentos gritando por dentro
e meus olhos gritando por fora
se ouve até agora.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

social

fala da vida inteira no Facebook, da hora que acorda até a hora que supostamente vai dormir.
tira foto antes de ir pra qualquer local, tira foto nos locais, vive das diretas e indiretas, se xinga ou menospreza para que alguém dê atenção.
aí você faz um comentário pessoalmente e a pessoa pergunta o que você tem a ver com a vida dela.

na próxima farei o comentário via rede social.
mais aceitável ultimamente.

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escrito em 19/12/2013 - 12:45

terça-feira, 10 de setembro de 2013

flagra

a carona vai até o ponto além
despedidas são feitas primeiro na calçada
mas não contentes, descem as escadas

o corredor era extenso demais
as mãos ansiosas demais
os lábios já se procuravam

aquele corredor que era extenso começou a ficar apertado demais
escadas eram necessárias para chegar ao estágio final
mais passos calculados
mais portas fechadas
mais dedos apressados

as pessoas foram esquecidas
tanto aquelas que passavam
quanto aquelas que ainda estavam esperando do lado de fora

inclusive a mim
que apenas observo com um olhar atento
e absorvo todas as emoções do casal como um invasor

e não teve sensação melhor que esta.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

trilhas


saídas não programadas
encontros com hora marcada
lugares que não esperamos
e ações que não planejamos

tem algumas trilhas na vida que sempre lembramos
e não é de música que estou falando
minha trilha preferida se tornou aquela onde todos os pontos são marcados
e não importa se pelos lábios, nariz ou com os dedos eles são encontrados

                     

terça-feira, 13 de agosto de 2013

carona

a arte de tratar as pessoas a pão-de-ló
quando as mesmas só vão te esquentando a banho maria.

nunca passou por isto?
sabe como é...
vão chegando de mansinho, propõe inúmeros programas
você a levando para outros
e a gente nem se liga que a água vai secando.
e a pessoa nem se importa de te deixar queimar.

mas quando esta pessoa percebe que deveria ter trocado a água
é tarde demais.
o pão já murchou, a água já secou e a amizade acabou.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

perdas

[faz parte daquele tipo de sensação que não se contenta em apenas ficar entalado na garganta ou dançando feito lágrimas nos olhos]

conviver, lidar, sentir, lutar por.
não sei o termo exato a ser usado relacionado com perdas.
nem exatamente o que sentir. seja por si ou pelo outro.
tudo foge no momento...as palavras, as ações..mas ao mesmo tempo o sentimento resgata e gruda nestes dois. talvez seja pela necessidade de querer e não querer ao mesmo tempo.
mas é difícil.
agora mesmo vou escrevendo sem saber exatamente o que falar, o que demonstrar.
no que auxiliar para que esta pessoa não se afogue.

procurar motivos para voltar a sorrir. motivos para saber que ela/ele é querida/o, que o que precisar estou aqui. talvez fazê-la/lo sentir abraços imaginários no momento, já que está longe.

escrevi uma vez em algum lugar que "'vai ficar tudo bem" porém "estas palavras são mais fáceis de serem ditas do que sentidas".

mas sinta. sinta duplamente. porque sabemos que seu pensamento é pulsante.
sempre.



08/08/2013 - 23:17 - e uma luz no céu.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

recordação - Antonio Prata

'Não faz sentido, pra que que a pessoa quer gravar as coisas que não são da vida dela e as coisas que são, não?'

"Hoje a gente ia fazer 25 anos de casado", ele disse, me olhando pelo retrovisor. Fiquei sem reação: tinha pegado o táxi na Nove de Julho, o trânsito estava ruim, levamos meia hora para percorrer a Faria Lima e chegar à rua dos Pinheiros, tudo no mais asséptico silêncio, aí, então, ele me encara pelo espelhinho e, como se fosse a continuação de uma longa conversa, solta essa: "Hoje a gente ia fazer 25 anos de casado".

Meu espanto, contudo, não durou muito, pois ele logo emendou: "Nunca vou esquecer: 1º de junho de 1988. A gente se conheceu num barzinho, lá em Santos, e dali pra frente nunca ficou um dia sem se falar! Até que cinco anos atrás... Fazer o que, né? Se Deus quis assim...".

Houve um breve silêncio, enquanto ultrapassávamos um caminhão de lixo e consegui encaixar um "Sinto muito". "Obrigado. No começo foi complicado, agora tô me acostumando. Mas sabe que que é mais difícil? Não ter foto dela." "Cê não tem nenhuma?" "Não, tenho foto, sim, eu até fiz um álbum, mas não tem foto dela fazendo as coisas dela, entendeu? Que nem: tem ela no casamento da nossa mais velha, toda arrumada. Mas ela não era daquele jeito, com penteado, com vestido. Sabe o jeito que eu mais lembro dela? De avental. Só que toda vez que tinha almoço lá em casa, festa e alguém aparecia com uma câmera na cozinha, ela tirava correndo o avental, ia arrumar o cabelo, até ficar de um jeito que não era ela. Tenho pensado muito nisso aí, das fotos, falo com os passageiros e tal e descobri que é assim, é do ser humano, mesmo. A pessoa, olha só, a pessoa trabalha todo dia numa firma, vamos dizer, todo dia ela vai lá e nunca tira uma foto da portaria, do bebedor, do banheiro, desses lugares que ela fica o tempo inteiro. Aí, num fim de semana ela vai pra uma praia qualquer, leva a câmera, o celular e tchuf, tchuf, tchuf. Não faz sentido, pra que que a pessoa quer gravar as coisas que não são da vida dela e as coisas que são, não? Tá acompanhando? Não tenho uma foto da minha esposa no sofá, assistindo novela, mas tem uma dela no jet ski do meu cunhado, lá na Guarapiranga. Entro aqui na Joaquim?" "Isso."

"Ano passado me deu uma agonia, uma saudade, peguei o álbum, só tinha aqueles retratos de casório, de viagem, do jet ski, sabe o que eu fiz? Fui pra Santos. Sei lá, quis voltar naquele bar." "E aí?!" "Aí que o bar tinha fechado em 94, mas o proprietário, um senhor de idade, ainda morava no imóvel. Eu expliquei a minha história, ele falou: Entra'. Foi lá num armário, trouxe uma caixa de sapatos e disse: É tudo foto do bar, pode escolher uma, leva de recordação'."

Paramos num farol. Ele tirou a carteira do bolso, pegou a foto e me deu: umas 50 pessoas pelas mesas, mais umas tantas no balcão. "Olha a data aí no cantinho, embaixo." "1º de junho de 1988?" "Pois é. Quando eu peguei essa foto e vi a data, nem acreditei, corri o olho pelas mesas, vendo se achava nós aí no meio, mas não. Todo dia eu olho essa foto e fico danado, pensando: será que a gente ainda vai chegar ou será que a gente já foi embora? Vou morrer com essa dúvida. De qualquer forma, taí o testemunho: foi nesse lugar, nesse dia, tá fazendo 25 anos, hoje. Ali do lado da banca, tá bom pra você?"

data: 05/06/2013 Folha de São Paulo

terminal

Terminal Parque Dom Pedro. 3:10hs

Eu andando em direção a parada do meu ônibus e vejo um senhor me estendendo a mão.

- Moça, me ajuda a sair daqui.
- Daqui? Qual ônibus senhor? Agora é muito difícil vir um.
- Não moça. Daqui. Da Vida. Me ajuda a voar daqui. A ir embora.

São poucas vezes que ações e palavras ficam atadas. Que você fica sem saber o que fazer. Como assim, ajudar uma pessoa a morrer?
Te resta dar uma de desentendida. Começar a conversar com calma, perguntar de onde ele está vindo, o que faz, até chegar no propósito dele.

- Moça eu perdi minha mulher. Depois perdi meu filho caçula. Não tem mais nada. Aqui já deu para mim. Não tenho mais vontades.

Pergunto dos outros filhos. Ele me fala que tem até bisnetos. Que tem um comércio. Veio de Alagoas e não tem pai (me mostra o RG só com o nome da mãe). Casou-se em Maceió com 14 anos e a mulher tinha 13. Diz que uma das filhas deu muitos conselhos sobre o comércio para prosperar.

- Então senhor. Olha só! Tem seus 5 filhos ainda. Seus 13 netos. Seu bisneto. Ainda tem muita coisa para se passar á eles. Viver. Não vou falar para o senhor ir num médico para querer decorrer sua vida. Vai falar com sua família. As vezes não precisa falar nada. Vai abraçar algum deles. Na próxima vez o senhor será abraçado também. E ainda que o senhor tem bastante gente da família ainda para ir visitar e ser visitado.

Fala que a cabeça já não se aguenta de tristeza (e eu nas lágrimas da tristeza dele). Que já não sabe mais o que fazer. Que o ônibus que quer pegar é daqueles que vai e não volta.

E restava à mim, naquele momento, encher um pouco de vida. Trazer alguns sorrisos nesta conversa. Ao menos para ele se lembrar deste encontro inusitado e ficar uns minutos ainda para viver.

Eu espero que sejam anos.

escrito e postado no Facebook dia 22/06/2013 14:31

terça-feira, 6 de agosto de 2013

lôucuras

entre cabelos, bocas e furacões.
loucuras transformadas em pernas e olhos
caracterizadas entre gatos, cigarros e desenhos
mas foi diante dos batons que levei o tiro certeiro

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

vitrola II

aquele sono me transportou novamente para os toques

...do celular...
...da campainha...
...da ponta dos seus dedos...
...da sua língua....
...dos seus lábios....

e tudo faziam com que as trilhas fossem mais precisas

...a chamada realizada na hora exata
...o alarme que não chegou a atrapalhar
...as mãos procurando e despindo
...a língua encontrando-se com lábios
...e os lábios realizando rastros

toques e trilhas novas se encontrando com prazeres antigos.

ciranda

telefonemas que formulam
encontros que pedem
bebidas que começam com
barulhos que se transformam em
danças que acumulam os
pedidos de haverem mais
telefonemas.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

escritor





este é o dia daquele que sente tudo na ponta.
seja do lápis, dos dedos ou da caneta.
o dia daquele que preenche ao extremo.
seja o coração, as idéias ou a cabeça.

daquele que pede um minuto da sua atenção
para letras corridas, às vezes sem noção
mas se toca no fundo da alma...
ah! é uma imensa satisfação.


[foto editada - achada em http://bit.ly/lqrHIn]

vitrola

três toques na campainha
duas telas que se transformaram em uma música
e lá estava eu contando os minutos para você chegar

os minutos se transformaram em horas entre canções, violões e declarações

nada que seja novidade numa noite fria
onde o que mais importa
é o calor humano
as palavras não ditas
os olhares se procurando
as mãos descobrindo

bem mais do que aqueles três toques eram as batidas do relógio
ossos se batendo até encontrar àquelas luzes verdes que faria o lugar do calor necessário naquele momento
uma pequena corrida e chegamos ao destino final
e será que estes foram os minutos do começo onde eu finalmente veria você chegando para mim?

lágrimas não planejadas, o sussurro da agulha, lençóis e roupas se confundindo
horas programadas, celulares tocando, portas se abrindo, o vento entrando...
e nada como esticar a mão para o lado e ver que as horas podem ter passado
mas foi o melhor sono de meses. aquele que com certeza eu não queria ter acordado.

terça-feira, 25 de junho de 2013

você pode me ajudar?

02:21 e ainda não sei se a ajuda poderá vir através de palavras
o que me faz pensar que não sei qual o tipo de ajuda que precisa

falar que 'vai ficar tudo bem' é coisa de gente que não sabe o que dizer
ou que não passou o que passa
ou talvez você nem mereça o "vai ficar tudo bem"
porque sei que vai ficar ranzinza e puto por estas palavras serem mais fáceis de serem ditas do que sentidas

segunda-feira, 24 de junho de 2013

virada sentimental


há tantas coisas boas e ruins para se falar da Virada.
shows que vi e deixei de ver, amigos que revi, sono, fome, suor, artistas indo de um lado para o outro e produções preocupadas com atrasos.
mas a coisa mais linda foi logo ao chegar, minutos antes de começar o show de Lucas Santtana no Palco da 25 (desculpem, mas um dos melhores palcos!). Um morador de rua ficou ali na grade ao meu lado, chamou um segurança do local e perguntou se não podiam dar pra ele um CD do cantor, disse que gostava muito dele. Claro, a primeira coisa que se pensa (e infelizmente pensamos!) é se não está o confundindo com o cantor sertanejo, devido exposição da mídia bem maior (e neste caso, um alcance maior e pelo nome também).
Enfim, com a dúvida plantada na cabeça esperei o show começar e o que ele faria, se ficaria ou iria embora. Então Lucas começa com uma canção linda "O Deus que Devasta mas Também Cura". E o homem ao meu lado vai as lágrimas. E eu vou junto com ele. E ele levanta os braços, coloca as mãos no rosto e fica ali tentando acompanhar. E eu dividindo minha atenção entre banda e ele.

E como diz a última frase desta música "Ó sol! proteja o menino".
Que proteja sempre mesmo!

escrito dia 20/05/2013 às 16:08

(pensamentos sobre show e vida)

Quem me conhece ao menos um pouco sabe que adoro música ao mesmo tempo em que gosto de ir aos shows destes artistas que me encantam ou então ir a shows de pessoas que nunca ouvi e quem sabe surge um novo CD na pilha (ou uma nova pasta pronta para ser usada no computador).
Bom quando você vai num considerável número de shows de bandas que se interligam ou que temos na plateia amigos-artistas daqueles que está no palco, acabamos vendo rostos conhecidos que você faz uma interligação imaginária em cada show que vai (do estilo “onde vi esta pessoa? Ah foi no show do fulano ou do beltrano").
Enfim, nuns últimos shows prestei atenção em uma grávida daquelas que parece que o bebê vai sair a qualquer momento para respirar novos ares. E às vezes ficava pensando “mas que energia! Tá aqui pulando, cantando, puxando coro!” ao mesmo tempo em que pensava “ué, será que ela não está naquele estágio de repouso? Assistir sentada não deve ser melhor, não sente cansaço?”. Bem aquele tipo de pensamento de uma pessoa que não tem muitas conhecidas que estiveram grávidas nos últimos tempos (bom, tem uma que replicou justamente este meu segundo pensamento “as pessoas me veem com um barrigão deste e acham estranho estar na rua! Só estou grávida ué! Que pensamento ultrapassado em relação às grávidas!”).
Fiquei sabendo ontem (15/05) através de um telefone sem fio do Facebook (vocês conhecem, quando alguém comenta no mural de alguém, aparece na sua linha do tempo porque tem amigos em comum e por aí vai!) que o marido/pai é o percussionista Guto da Trupe Chá de Boldo (recomendadíssimo!). Aí fiquei pensando que com toda certeza este pedacinho que veio conhecer o mundo, que já estava nos batuques na barriga da mamãe, aqui fora, se depender da família, não vai parar de sacudir as pernas e braços assim que tiver oportunidade.

(Ressalto aqui uma imagem linda que congelou minha mente no show de sábado no Parque da Água Branca da Trupe, que foi o Galo, vocalista, ao descer do palco ir direto beijar aquele barrigão enorme e ficar lá mais do que um minuto acredito. Não sei ao certo. Mas todo o momento que ele ficou ali me prendeu a atenção, daqueles tipo de cena que você até vê uma luz ao redor).

E como diz uma musica da Trupe: “A Vida Que Te Beija”. E que te abraça, te olha e que faz você participar, mesmo que ao longe, deste tipo de luz.

(E felicidades papais!♥)

escrito em 16/05/2013 às 21:01

e a mamãe é dona deste blog (onde há textos lindos e um em especial sobre o grande dia ♥)
http://www.adelitaahmad.blogspot.com.br/

sábado, 8 de junho de 2013

sobre chaves e fechaduras

nesta estrada que vivemos, muitas vezes escolhemos correr com os dedos ou com os olhos
durante um tempo me permiti ser o alvo destas vias, mas veja só, o tempo passa e você descobre que apenas pensou que se permitiu ser algo para alguém. e que a culpa foi somente sua.

sempre vendia as chaves erradas, mas quando pensei ser a certa parece que a fechadura teimou em mudar de forma. e neste momento pensei que talvez minha vontade de acertar era tanta e que meu mal foi pensar demais até decidir qual das chaves era a melhor. decidi que era melhor libertar esta mão de poucos encontros (mas sempre intensos) que sempre me encontrava no meio do caminho.
que era melhor correr por outras estradas.
que esta mão tivesse a chance de encontrar a fechadura certa.

e quanto a mim?

tranquei-me em mim mesma. pensava que era o certo. para quê ajuda para encontrar novas estradas, afinal? era melhor continuar a correr a estrada com os olhos. e durante esta estrada me perguntava se aquela chave que deixei se sentia culpada por não ser o enigma da fechadura. ou se pensava q'eu era a responsável pelas mudanças das fechaduras a cada tentativa.

já não sei. muito tempo se passou desde então. chaves e fechaduras não são mais usadas. talvez um outro tipo de ligação, mais moderno, seja feito. a dúvida sempre planta, e espero que pense sempre na segunda opção.
afinal, fechaduras são únicas enquanto chaves são feitas aos montes.
e que ao menos tenha a 'chave' para libertar esta possível dúvida e jogue-a fora, desta vez, sem receio nenhum. se, receio de ser feliz por completo.

pois a estrada é sempre longa quando olhamos e andamos na direção certa.

sábado, 25 de maio de 2013

Sobre pedaços de um caderno manchado de whisky



Quando olho estas folhas, retorno para algumas situações e vejo que manchei bem mais de outras coisas do que de Whisky. E me pergunto quantas destas manchas foram possíveis de serem apagadas. Não por mim, é lógico. Lembram? Eu apenas crio as manchas assim como as cicatrizes. Apenas vejo aquela primeira gota que se transforma numa poça ou dou sempre o primeiro tiro numa briga e não tenho coragem de assistir o ferimento sangrar e cicatrizar.

Podem me chamar do que for. Destruidor, cruel, retardado, perdedor. Pode dizer que nunca vou encontrar uma pessoa que me entenda. Que me ame. Que queira compartilhar tudo.

Pode falar que nunca vou conseguir colocar um ponto final nas coisas que apenas irei usar vírgulas. E que estas apenas fazem curvas na minha vida que não tem fim, e que sempre acabo voltando para as velhas dores que eu mesmo criei.

Porque a única certeza que tenho por enquanto é que preciso de um novo caderno. Para formular novas manchas.

E continuar a me manchar com elas.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

arpoador


as chaves voltam às cinco
então me vê duas doses para dez
e me encontra debaixo dos arcos
ali perto das bicicletas
onde muitos perdem a direção
mas o ombro aponta que ao amanhecer
apostar corrida é a melhor opção

ou então me encontre nos degraus
onde um colorido deixa saudades
junto a canções que saúdam a vida
e encontros são brindados
seja com os pés ou com as mãos

e se ainda tiver pique
venha andar a beira-mar
encontrar novos significados em cima das pedras
compor uma canção para o vento
e ao final descansar
enquanto a vida real não chega


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escrito em 17/01/2013
foto e edição: Ana

quinta-feira, 2 de maio de 2013

ferida aberta

aqui lendo sobre criar cicatrizes
.
.
.
fiquei pensando em quantas indiretamente eu tive que criar
para poder me afastar sem machucar o outro
sem dar o menor indício de ferida.
acontece que muitas das minhas continuam uma ferida aberta
e as pessoas nem noção disto tem
minha opção foi sofrer calada várias coisas ao longo da vida
e eu só tenho 25 anos mal vividos
somente convivendo com elas
fazendo com que a cada dia que passe
elas ganhem mais força
.
.
.
só queria que esta força fosse o bastante para curá-las.

apaixonar-se

e para onde foram os brilhos nos olhos
as curvas nos lábios
os vermelhos da face
as mãos tremidas e suadas
os joelhos virando geleia
o frio na barriga
os pensamentos nas nuvens
e os dias com mais cores?

os pensamentos bloqueados
a caneta formando corações
ou até mesmo poesias e poemas pela metade
justamente porque o sentimento é muito grande para sintetizá-lo

e os olhares para o telefone
e quando ele toca é sempre a primeira a atender
ou então olhar pro celular e apenas esperar um bom dia

esperar os dias passarem...
...para que surja uma música única
...para que surjam novos nomes
...para esperar o dia seguinte

e para que as pessoas comentem que há uma coisa nova em você.
afinal, onde está o apaixonar-se?

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foto tirada daqui


quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

tala

uma batida no vidro
um aviso
uma chave entregue
e eu só queria recuperar o sono perdido

mas quando a espera de minutos se transformaram em horas
descubro que o incidente de 5 segundos se transformaram em meses
e que o lado esquerdo da balança estaria ganhando a partir daquele dia

ganhando problemas
ganhando batidas
ganhando noites mal dormidas
ganhando mais peso nas decisões
ganhando mais tempo ocioso

mas quem disse que isto seria empecilho para querer viver a vida?

sábado, 5 de janeiro de 2013

sumir

sumir é sempre preciso
mas tudo depende da ocasião
sumir para se sentir querido
para organizar idéias
para se achar
para fazer programas

aqui a vontade de sumir junta-se com a vontade de recomeço
como se fosse aquele botão de liga e desliga
como se tudo fosse novo de novo
como se eu tivesse novas chances
como se eu tivesse oportunidades

como se eu pudesse ser eu mesma em todos os momentos
que eu não precisasse me esconder
deixar que situações escolhessem por mim

mas sumir é complicado demais